PRAÇA DO CONHECIMENTO DO ALEMÃO PROMOVEU UMA SEMANA DE EXPOSIÇÕES SOBRE A DITADURA

por: David Amen
Memórias25-4-300x200“Fazer a Revolução para o povo ou com o povo?”, indagação repetida todos os dias por Julio Senra, na exposição Memórias – 1964 a 2014, que trouxe para a Praça do Conhecimento de Nova Brasília, durante uma semana inteira, debates sobre momentos vividos no período da Ditadura Militar que, este ano, é lembrado pelos 50 anos que completa o Golpe. Foram cinco dias ricos em informações históricas, emocionantes, contadas por meio de palavras, sons e imagens da época. Uma aventura profunda em memórias afetivas de pessoas comuns.

Por diversos pontos de vistas e linguagens de comunicação, a Praça do Conhecimento promoveu um importante encontro entre sobreviventes e recordações dos “Anos de Chumbo” que recuperou de maneira expressiva uma época árdua em nosso país. Julio Senra foi um dos convidados para formar as rodas de conversas que aconteciam todos os dias depois de uma sessão especial de cinema com um filme relacionado ao período Ditatorial que dava rumo aos debates.

Memórias28-2-300x230A seleção de filmes e documentários apresentados durante a mostra trouxe a representação de um passado tortuoso em diferentes narrativas e interpretações. Memórias das prisões, as práticas de torturas, assassinatos, situações reais que fizeram parte da história da ditadura. Entre as exibições, o premiado e recém-lançado “O Dia que Durou 21 anos” de Camilo Galli Tavares, filho do jornalista e preso político Flávio Tavares, apontando a influência norte-americana no Golpe, em 64.

UMA MEMÓRIA AINDA VIVA

Um tempo de repressão que pôde ser visto em charges do cartunista Claudius Ceccon, publicadas no semanário da época, “O Pasquim”, cartazes, músicas e também fotografias, através do olhar do renomado fotojornalista Evandro Memórias28 (2)Teixeira – que gentilmente cedeu parte de seu acervo digital para a exposição – e as recentes manifestações, projetadas simultaneamente nas paredes, traçando uma linha entre passado e presente. Nos tablets instalados na ALA o público teve a oportunidade de ouvir alguns dos principais discursos realizados por pessoas que marcaram sua passagem pela época com bravura, coragem e repúdio ao Regime. Talvez o mais emocionante foi a explanação de Jango, em 13 de março de 64 (dias antes do Golpe), na Central do Brasil.

Memórias28-91-960x649É preciso reconhecer os verdadeiros heróis daqueles 21 anos. Personagens que a história não conhece. Ouvir as vozes reais que ecoavam nos corredores do Doi-Codi e do DOPS como consequência das torturas causadas por militares e/ou afetuosos à Ditadura. Relembrar para refletir se faz necessário em momentos como o nosso, onde os valores estão corrompidos, subvertendo a lógica da luta por direitos que estes guerreiros e guerreiras viveram. Toda aquela situação política agora contada por gente que a sofreu de maneira desleal comparada ao poderio bélico e ideológico das tropas golpistas. Uma forma clara de resistência política.

MÚSICA NA CALÇADA

Certamente é sabido que naquele período, muitos artistas da Música Popular Brasileira desempenharam uma função extremamente importante para a luta do povo. Neste sentido e na intenção de contemplar os visitantes e transeuntes na comunidade, a rua também foi ocupada com exposições sonoras. No meio da semana fomos agraciados com uma orquestra de cordas, formados por jovens adolescentes do projeto “Música Pela Vida” que presenteou a todos com um flashmob tocando duas músicas da época, providenciadas especialmente para o evento. “Só tivemos uma semana para ensaiar”, lembra o maestro.

Já no encerramento das atividades o palco do Anfiteatro da Praça foi ocupado por uma turma do projeto “Música na Calçada” que arrepiava quem passava no local. Uma roda de samba primorosa que antes só Memórias28 (9)tocavam instrumentais pelas vielas da Favela de Manguinhos, agora contam com duas vozes doces que proporcionaram emoções quando expressavam suas canções, algumas bem antigas, como “O Bêbado e o Equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco. Mas o repertório trazia mais surpresas e o público se deliciava com cada obra selecionada, afinal eram grandes autores relembrados, opositores ao Regime Militar, praticantes da arte como resistência.

Promover este evento foi um desafio inspirador. Era o momento mais oportuno para reaproximar as pessoas de um tema tão grandioso, com uma representatividade intensa na história do Brasil, quase esquecido por nossos pares. A função da Praça do Conhecimento não é apenas desenvolver projetos de capacitação tecnológica ou inclusão digital mas, também, desfrutar de possibilidades que trazem para o lado educacional, de formação sensorial crítica por meio do diálogo e troca de saberes.

Todo conteúdo apresentado foi colhido através de parcerias com instituições que dedicam tempo para que aqueles tempos não sejam perdidos, pessoas e movimentos de lutas. Todos colaboraram de alguma forma, bem como cada turma dos cursos ministrados na Praça. Cada aluno se envolveu de alguma forma, nos debates, nos registros e em produções de peças para a exposição. O mais importante é saber que a formação destes produtores já se dava no processo de produção.

 

Anúncios

Sobre sectrj

Blog da Secretaria Especial de Ciência e Tecnologia do Município do Rio de Janeiro
Esse post foi publicado em Notícias. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s